Notas soltas de História do Algarve

Algarve Antigo

Lápides tumulares: Igreja de Quelfes, Olhão

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Á entrada das portas principal e lateral (lado sul) da igreja de Quelfes, existem duas lápides tumulares, as quais contêm inscrições. Estas são as duas únicas lápides tumulares no exterior da igreja de Quelfes, e por incrivél que isso nos pareça, de acordo com os registos de óbitos correspondentes, estão ainda na posição em que inicialmente foram colocadas!

Junto da porta principal:

Lápide tumular de José Dias Patrão

Lápide tumular de José Dias Patrão

AQVI JAS / O RD JOZE DIAS / PATRAO CLERIGO / IN MINORIBVS QVE / FALECEV EM 16 DE / MARCO DE 1810 / P.N. A.M.

Leitura: Aqui jaz o Reverendo José Dias Patrão, Clérigo in minoribus, que faleceu em 16 de Março de 1810. Padre Nosso. Avé Maria.

O registo de óbito de José Dias Patrão está lavrado na folha 66-verso do livro de óbitos de 1795-1819 da freguesia de Quelfes:

Aos dezassete dias do mês de Março de mil oitocentos e dez anos faleceu José Dias Patrão, viúvo de Maria Rosa da Assunção, recebeu todos os sacramentos do costume, fez testamento, cujo testamenteiro é Manuel Lopes, genro do mesmo testador, morador no sitio da Alecrineira desta mesma freguesia, onde o dito testador residia havia sete anos. Foi sepultado ao pé da porta principal desta igreja, sua freguesia, do que fiz este termo, que assino dia, mês e ano, ut supra. O Pároco Joaquim José Mendes

É curioso que o registo de óbito não se refira a José Dias Patrão como sendo um membro do clero, mencionado que este foi casado e era viúvo na data em que morreu.

Porta Lateral (Sul):

Lápide tumular de José Palermo da Ponte

Lápide tumular de José Palermo da Ponte

AQUI JAS / O [REVERENDO] / [PADRE] JOZE / PALERMO DA P/ONTE DO SITIO DE MA/RIM DESTA [FREGUESIA] / O QUAL FALECEO N/[O DIA 15] DO M[ES] / DE MAIO [DE] / 1809

Texto da inscrição parcialmente reconstituído [entre parênteses rectos] devido ao mau estado de conservação da lápide.

Leitura: Aqui jaz o Reverendo Padre José Palermo da Ponte do sitio de Marim desta freguesia, o qual faleceu no dia 15 do mês de Maio de 1809

O registo de óbito do Padre José Palermo da Ponte está lavrado na folha 63-verso do livro de óbitos de 1795-1819 da freguesia de Quelfes:

Aos quinze dias do mês de Maio de mil oitocentos e nove anos faleceu de um catarral o Reverendo Padre José Palermo da Ponte do sitio de Marim desta freguesia de Quelfes. Recebeu os sacramentos do preceito. Fez testamento, cujos testamenteiros são: António Palermo, irmão do defunto, e António Pereira da Costa, cunhado do mesmo. Foi sepultado á porta do sul desta igreja no dia dezasseis do referido mês, do que fiz este termo, que assinei dia, mês e ano ut supra. O Pároco Joaquim José Mendes

Written by rogerio

September 29th, 2009 at 8:09 pm

Uma Resposta to 'Lápides tumulares: Igreja de Quelfes, Olhão'

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  1. O referido José Dias Patrão, filho de António Dias Miranda e de Inês Mestre, ambos de Estoi, casou em São Pedro, de Faro, a 29.12.1763, com a dita Maria Rosa da Assunção, filha de Miguel Pereira da Silva e de Rosa Maria “do Rossio”, natural de Santa Bárbara de Nexe. Ele era neto paterno de Manuel Pires e de Margarida Martins, ela de Estoi e ele de vale das Fontes, Vinhais, Bispado de Miranda. Era neto materno de Martinho Lopes e de Inês Mestre, ambos de Estoi.
    A Maria Rosa da Assunção, era neta paterna de Domingos Pereira e de Catarina Fernandes, naturais de São Brás de Alportel e neta materna de Euzébio Rebelo da Silva, natural da Sé de Faro e de Catarina de Abreu de Mendonça, de Santa Bárbara de Nexe. Euzébio Rebelo da Silva, era filho de Manuel Fernandes da Silva e de Ana Rebelo, da Sé de Faro. Catarina de Abreu de Mendonça, era filha do Capotão Sebastião de Abreu de Mendonça e de Catarina da Costa, casados a 12.02.1685, em Santa Bárbara de Nexe, ele filho de António Martins Correia e de Maria da Veiga, de São João da Venda ou de Santa Bárbara de Nexe e ela filha de Manuel Afonso Pires e de Margarida da Costa, de Santa Bárbara de Nexe.
    Filhos do casal José Dias Patrão e Maria Rosa da Assunção, só conheço a Maria Rosa, que casa a 30.10.1800, em Quelfes, com Manuel Lopes Abelheira, filho de Lourenço Viegas Lopes e de Maria Viegas, ambos de Quelfes, Alecrineira. este casal teve descendência.

    José Cabecinha

    17 Apr 10 at 6:25

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